Cinza

Leco Vilela

Não existe mais contraste entre os prédios e o ar se torna visível de tão pesado. Essa nuvem cinza que domina o inverno paulista sufoca.

São Paulo nunca foi cheia de cores, mas no inverno seco a cidade se reflete anêmica. Quando chega à tarde, o Sol só faz doer os olhos. Não sinto minha pele áspera aquecer.

Não existe horizonte nas manhãs do inverno paulista. 

Existe o motor e a fumaça, a velocidade e o concreto, o vertical e o cianeto. 

Nem os pássaros compõem melodias. Orquestras.

E mesmo entre a pele arrepiada pelo frio e a morte que se apresenta nas folhas caídas no chão, tem um Ipê que pinta em cores a tela cinza.

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