Nosso Pé de Laranja Lima

De repente estamos todos de pé refletores nos rostos, aplausos ao redor, palavras de bom gosto, criticas construtivas, suor.
Termina-se o espetáculo e fica as consequências de um projeto de 3 ou 4 meses, um projeto áspero, um projeto duro pela sua simplicidade.
Fica a certeza de que perdemos a pureza e a inocência das coisas, fica a duvida do que ganhamos em troca, mas as coisas seguem assim, por um percurso louco e indefinido, "Estamos sempre antes" dizia um texto do D. Chico Chicote de "Hoje é dia de Maria - O Pesadelo", diria que "estamos sempre durante" e seguimos assim sem saber o começo e o fim das coisas. Esse processo que foi no mínimo interessante, me causou várias reações, talvez eu tenha despertado de um sono acomodado, talvez eu tenha começado a ver as coisas de outra forma, talvez eu esteja me questionando mais e forçando minha saída dessa zona de conforto que me cerca, fico pensando no filme "Na Natureza Selvagem" até onde ele foi pra sair dessa zona. Ao mesmo passo me pergunto, sabendo a resposta, o que eu faria pra sair dessa zona de conforto? Diferente do filme que é uma busca externa, geográfica a minha luta, minha busca é interna e etéria. Essa fuga premeditada do que me é conhecido, quero o desconhecido, necessito do mar agitado batendo no peito, nunca fui um porto seguro, nunca quis um porto seguro, talvez tenha ficado aqui tempo de mais, a verdade é que me sinto cada vez mais cigano dentro de mim mesmo.
Seguimos assim então, andando todos de mãos dadas ou separadas ao final, com a certeza de que se batermos os calcanhares voltaremos aos nossos lares, mas fica a dúvida, a onde é o seu lar?

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